Depois de "realizado" o desejo de ver as estrelas no céu mais limpo do mundo era hora de voltar para ver de perto as azuis águas do Pacífico. Voltar porque quando descemos de Antofagasta passamos "na porta" de Punta de Choros, mas como os observatórios só abriam sábado e domingo tivemos que fazer esse esforço de rodar mais 400 km ida e volta até Vicunã.
Punta de Choros certamente não está em muito roteiros de viagem de brasileiros que vão ao Chile, seja à Santiago ou voltando do Atacama. Não é conhecido, não tem propaganda, placas na estrada (na verdade tem uma na Rota 5). Não tem hotéis ou postos de combustível. É visitada principalmente nos meses de janeiro a março pelo chilenos por por gringos que chegam em cruzeiros marítimos da Europa e dos USA para curtir suas ilhas e apreciar a fauna local. Pode-se observar os pinguins, claro, pelicanos, atobás diversos, golfinhos, algumas vezes baleias. Esse é o ponto forte no Parque Nacional Marinho Pinguinos de Humboldt. Tem esse nome por causa da Corrente de Humboldt, a mais fria do mundo (o que explica a falta de banhistas nas praias da região).
Como não há hoteis o forte são cabanas de aluguel, algumas agregadas de restaurantes e outras isoladas. Todas com estrutura de casa de praia. A nossa era divina, com vista os pés literalmente na praia... quase no mar.
Na verdade, visitar o Chile é não se prender a estes reais riscos da região (erupções vulcânicas, terremos, tsunamis, enchentes relâmpago e outros. Os riscos são tão reais que última visita de minha esposa à Santiago, uma semana após seu retorno ao Brasil, explodiu o Poyehue. Agora em março de 2014 teve um terremoto de magnitude 6,4 e houve alertas de tsunami em toda a costa norte (região que visitamos). Vejam o noticiário local no dia do evento
Na manhã seguinte era o dia de visitar as ilhas e desembarcar numa delas. A região explora a pesca (pode-se chamar assim) de um molusco conhecido no Chile como Loco (vejam a descrição técnica). Já que é para os de gosto refinados, gostei de primeira... e o meu foi na praia, preparado na hora por uma negociante do produto, apenas com limão siciliano. Uma delícia! Os Locos são pegos por mergulhadores em profundidade entre 5 e 18 metros. A pesca é controlada e podem ser coletados apenas uma vez por ano ao limite de 800.000 unidades. Tudo que é retirado é controlado pelos fiscais do parque e por amostragem verificam se não são inferiores a 10 cm. Caso sejam, são devolvidos ao mar.
Após degustar a iguaria, pegamos o barco para a visita às ilhas.
É, foi uma boa mudança no roteiro da viagem... Obrigado meu amor!


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